Pois com as crianças estas sensações também acontecem e estou pra dizer que ainda com mais frequência do que com adultos. Como eles se apaixonam por aqueles personagens super poderosos que resolvem todos os problemas da humanidade e são adorados por todas as pessoas boas.
Depois do Sportakus (Lazy Town), o Eduardo ficou fanático pelo Batman e pelo Homem Aranha, mesmo nunca tendo visto os filmes, nem assistido so desenhos, mesmo sem eu ter citado a existência destes dois. Ele falava tanto, ficava tão encantado que acabei, como já contei aqui, me rendendo a ele e comprando uma máscara e uma camiseta do Batman.
O problema é que a imaginação de uma criança não tem limites e o meu Batman mirim se sentia super poderoso quando colocava a sua máscara de plástico. Um belo dia ele subiu no encosto do sofá da sala e disse:
- Mamãe, vem ver o salto do Batman.
Eu, com a maior tranquilidade disse pra ele tomar cuidado que quando caísse no sofá pegaria impulso e poderia ser jogado no chão. Mas nem tive tempo de respirar e ele saltou direto para o chão. Eu levei o maior susto e tentei explicar o perigo que era fazer isso mas de nada adiantou porque ele argumentou que era o Batman.
No dia seguinte conversei com a professora e ela prometeu conversar com eles sobre o assunto porque com certeza outras mães estavam passando pelo mesmo problema.
Tambem no dia seguinte, à tarde, eu vi que estava passando o filme do Batman na tv e fiquei naquela dúvida se deixava ou não ele assistir, mas como já estava no final do filme e ele já tinha visto o Batman acabei permitindo e foi ótimo.
No momento em que o Batman tira a máscara para conversar com a mulher gato a decepção do Eduardo foi evidente:
- Mamãe, o Batman usa uma máscara?
Pra resolver certos problemas a gente tem que pensar rápido, vão aprendendo...
- Claro, ele é um homem como a gente e usa a máscara pra nao ser reconhecido.
- Mas e o Homem Aranha?
- O Homem Aranha tambem! (mas não pode mentir pra criança, então eu não falei que o super homem é apenas um homem, mas tambem nao disse o contrario).
- Mas eu não queria que o Batman usasse máscara. Estou muito triste!
Eu pensei em argumentar que ele não era apenas um homem: era o Michael Keaton. Mas pode ser que o gosto dele não seja o mesmo que o meu (espero que não mesmo) e não ia fazer diferença pra ele.
Fiquei de coração partido de ver a decepção dele mas resolvi meu problema. Agora quando pergunto se ele é o Batman ou o Homem Aranha ele responde:
- Não, eu sou o Eduardo!
A máscara anda meio abandonada pela casa e quem está usando é a Helena, mas usa como se fosse uma tiara.
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