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Mar 18, 2019

10 anos de Canada

E há 10 anos atrás, nos desembarcávamos no aeroporto de Toronto com nossas malinhas, 3 criancinhas e muitos sonhos! 

Eu virei minha vida do avesso nessa terra tantas vezes, que nem sei mais de que lado eu estou: direito ou ainda estou do avesso de novo???

Trouxe comigo dezenas de amigos (aí que orgulho!!!) e muito amor recebido e doado!

Quando olho para trás, não parece que demorou, nem que passou rápido demais!! Parece que simplesmente passou e eu vivi cada minuto intensamente! 

E hoje eu posso dizer que essa aventura foi um sucesso!!! 

E os meus amigos foram imprescindíveis para que passássemos por tudo com força, alegria e quase sempre, com elegância!!!

Nem todas as experiências foram boas, nem todas foram ruins, mas tudo foi vivido intensamente!

Jul 9, 2018

Jul 9, 2015

O gene da imigração

São muitos os motivos que levam as pessoas a imigrarem e minha família, pelo jeito, tem o gene da imigração super expresso!

Eu sempre tive muito interesse em conhecer as minhas raízes, de onde vim, quem eram aquelas pessoas corajosas que em tempos tão difíceis se aventuraram em um navio por mais de um mês em direção ao Brasil.

Quando descobri a digitalização dos registros do Museu da Imigração de São Paulo, eu comecei procurar por aquelas pessoas que tanto amo e pouco conheço. Visitei o museu varias vezes e vasculhei a internet de varias formas, mas nunca tinha encontrado nada, ate ontem!

Não sei bem como funcionam estas coisas, mas de repente aparece aquela ideia e as coisas se encaixam.

Eu estava assistindo o programa Estrelas, vejam so, pela internet porque me recuso a ter Globo internacional, rs. a Angelica entrevistava a atriz Laura Cardoso exatamente no Museu da Imigração e elas procuravam pela "família" da Laura e me veio um pensamento de que talvez, por um milagre, uma coincidência, um acidente... os nomes dos meus avos estivessem grafados de forma errada!!!

E então... la fui eu... tentar outras sequencias e possibilidades. Eu olhei vários nomes, um a um, tentando encontrar informações que se encaixassem com as informações que eu já tinha e... ACHEI!!!

Encontrei minha avo paterna chegando de Portugal com minha tia que tinha apenas 3 aninhos.  E depois de mais um dia de procura, eu encontrei minha avo materna, chegando da Itália com toda a família (mae, pai, um irmão, duas irmãs e um sobrinho de 5 anos).

Infelizmente meus avos ainda não foram encontrados mas grande parte da minha historia esta sendo recontada, agora por escrito, com registros incontestáveis. A historia romântica da jovem italiana que conheceu um português no navio e os dois se apaixonaram, infelizmente veio por terra (sem trocadilhos) porque meu avò português não estava naquele navio, naquele dia.

E o caminho percorrido pelos meus avos maternos tb esta sendo modificado. E um quebra-cabeça cheio de pecinhas soltas mas esta sendo muito emocionante juntar cada um desses pedacinhos!

Para os que quiserem se aventurar o link esta aqui.

As vezes a letra do escrevente não eh muito fácil de ser lida, por isso tem tantas informações erradas. Minha avo foi cadastrada como Angiola, ao invés de Angela. Mas pelo nome dos outros familiares foi possível identifica-la.

Vale a pena!

Feb 13, 2015

Hoje eu passei frio!

Estou no meu sexto inverno no Canadá e apesar de estar sendo muito muito mais tranquilo que o inverno passado, este eu estou sentindo mais na pele, literalmente!

Eu sempre levei as crianças para a escola de carro e sempre descia do carro, acompanhava até o pátio, esperava formar a fila, ficava olhando até a ultima criança entrar na escola (neurose de mãe brasileira - nunca deixei nenhuma criança ficar do lado de fora da escola sozinha)... mas como nos dias muito frios as crianças entram na escola assim que chegam, eu nunca fiquei muito exposta a baixíssimas temperaturas. Nesses dias de temperatura muito baixa, eu deixava as crianças na porta da escola e nem descia do carro. Eles já entravam e eu ia embora.

Só que agora, eu vou a pé levar e buscar as meninas e tenho que dizer: estou penalizada com a situação de todas as pessoas que andam de transporte público ou que caminham por ai!!!

Hoje, quando voltei da escola com as meninas, eu literalmente chorei! Chorei de dor na testa por causa do vento gelado que vinha na nossa direção! Eu fiquei desesperada com aquela sensação e andei o mais rápido que pude, ate chegar na esquina da minha rua, onde pude virar de costas para o vento e esperar as meninas.

O que me deu mais raiva foi ver as duas brincando com as montanhas de neve como se estivessem na areia da praia!!! E ainda têm a coragem de chegar em casa com as mãos e os pés quentinhos!!!  Para o meu caso, não existem acessórios que consigam manter minhas mãos, pés e agora testa aquecidos. Tudo o que as pessoas indicam eu compro, tento, faço, mas estou sempre com frio nas extremidades.

Aliás, sinto frio dentro de casa também. E gosto dos 24 graus!!! Mas tanto as crianças quanto o cachorro reclamam do super aquecimento, então mantenho a temperatura nos 21 e uso uma blusinha
quentinha!

Hoje estamos com alerta de baixas temperaturas: nesta sexta pela manhã teremos -25 com sensação de -35! Nestes dias, o melhor é ficar em casa, curtir a lareira e apreciar o branquinho lá fora pela janela: fechada!!!

PS: claro que eu não vou poder fazer nada disso porque tenho reunião com a professora do Eduardo as 9:30!!! Imaginem como estou animada!!!!

Apr 5, 2014

Aprendendo português com as princesas

Há mais ou menos 4 anos atrás, eu estava brigando com as crianças para mante-los falando português. Eu até comentei sobre minha luta aqui e recebi várias dicas interessantes que muito me ajudaram!


Hoje, depois de muita luta, eu posso dizer que tudo valeu a pena e que as crianças são fluentes em português! Eles cometem alguns erros, fazem algumas traduções literais que ficam esquisitíssimas, misturam um pouco algumas palavras, mas no frigir dos ovos, conseguem conversar com qualquer pessoa em português, assistem qualquer programa, entendem músicas e para minha alegria infinita, tanto o Eduardo (10 anos) como a Helena (8 anos) estão conseguindo ler!


Tudo bem que ler em português não é lá muito difícil para quem fala. Com um pouco de atenção e boa vontade, dá pra adivinhar o que está escrito. Mas nem por isso o meu orgulho diminui porque os dois estão se esforçando para fazer isso e interessandos em aprender.


Bem, mas o que foi mesmo que eu fiz???


Primeiramente, mantive o português como lingua oficial de casa. Aqui nós só falamos em português a maior parte do tempo e muitas vezes, quando estamos na rua, nós conversamos em português também.


Como as meninas adoravam as princesas, eu baixei da internet todos os filmes das princesas em portugues. E para que o Eduardo não ficasse por fora, muitos outros filmes do interesse dele. Antes de dormir, eu também lia alguns livros em português. Tudo bem que eu tinha poucos e ficaram meio repetitivos, mas eu insisti por um tempo, rs. Também contava histórias em portugues, musiquinhas e ouviamos muitos Cd's brasileiros.


Este contato constante com a lingua foi muito importante para consolida-la na cabecinha deles e hj eles se sentem confortáveis com as duas. O inglês ainda é a lingua preferida: é mais facil para eles se expressarem e muitas vezes eu tenho que traduzir para eles entenderem algumas coisas que eu falo, rs... mas ele está lá: o português foi gravado naquelas cabecinhas e acho difícil eles perderam.


E o melhor: eles adoram falar a nossa lingua mãe: adoram aprender novas palavras, novas expressões, um código secreto quase só nosso mas que abre portas para outros códigos secretos como o espanhol e o francês!


Meu conselho pra todos os pais: não tirem dos seus filhos a oportunidade do bilinguismo! A riqueza do conhecimento ninguem vai poder tirar deles nunca!





Mar 18, 2014

5 ANOS

Hoje completamos 5 anos de Canada!!!! Todo mundo diz que este é o tempo necessário para as pessoas se adaptarem e se estabilizarem aqui e eu acho que é mais ou menos isso. Pelo menos com a gente foi assim!




São muitas lembranças, muitas mudanças, muitas histórias... muito de tudo! Tem sido um privilégio viver toda esta experiência e sentir que está valendo a pena cada segundo, cada obstáculo, cada mudança de rota!




Pra quem está vindo, eu só diria para abrir sua cabeça para o novo, pra o diferente, para o inesperado.
Enfrentar as dificuldades sem comparações, sem preconceitos, sem peso, sem pena de si mesmo!


Aqui se perde muito, mas também se ganha muito, tudo vai depender de como cada um olha à sua volta!  Não tenha medo de desafios!!! Muita gente encarou o mesmo caminho que vc e com mais obstáculos. Até onde eu sei: todo mundo sobreviveu!


Obrigada Canadá pela oportunidade!



Mar 17, 2014

Chuva em São Paulo

Há cinco anos atrás choveu muito em São Paulo!!! Choveu tanto que nós estávamos com medo de perder o avião que nos traria para a maior aventura da nossa vida! Ficamos horas parados nas marginais Pinheiros e Tiete tentando cruzar a cidade pela última vez desde então!


Foram horas de emoções contraditorias, medos, choros e ao mesmo tempo uma alegria infinita de quem está realizando um grande sonho!


Há 5 anos nós deixamos o Brasil e aquela nossa vida para trás. Até hoje não conseguimos voltar nem para visitar e pra ser honesta, acho que ainda vai demorar um tempo para isso acontecer. De uma certa forma, naquele 17 de março de 2009, nós nos despimos da vida que tinhamos e embarcamos nús para vestir a nova vida que tinhamos escolhido.


Quando entrei naquele avião me veio uma vontade enorme de chorar, de gritar, de contar pra todo mundo que eu estava realizando um grande sonho e que estava desesperada! Eu e o Sergio nos olhávamos e nos perguntavamos o que estavamos fazendo ali com nossos 3 filhos!


Só depois da decolagem foi que consegui me acalmar um pouco, mas não dormi bem durante a viagem. De vez em quando o meu coração batia mais forte, para me lembrar da loucura que estávamos fazendo.


Até hoje tem gente que nos pergunta onde estavamos com a cabeça, o que estávamos fazendo com nossas vidas. Até hj tem quem não aceite, tem quem espera o nosso retorno, tem quem nos critique e tem quem elogie a nossa coragem!


Até hoje eu não consegui me arrepender um minuto sequer por tudo o que fizemos e não lamento nada do que passamos nem os erros que cometemos.


Tudo faz parte da nossa historia e eu tenho muito orgulho dela!

May 13, 2013

Enfim canadenses

Enfim, canadenses!!!!

Este foi o ultimo grande passo de toda esta trajetoria que começou junto com este blog, em 2006.

A cerimônia foi linda e emocionante!!! Primeiro fizemos uma discussão em pequenos grupos sobre a nossa história no Canada, as expectativas e o que tem acontecido na nossa vida. No nosso grupo tinha também um rapaz do Congo, um da Nigéria e um do Paquistão. As crianças ficaram na Biblioteca da escola lendo e desenhando.

Depois fomos para a cerimônia. Tinham duas "deputadas", um guarda da polícia montada (que vai sempre para São Paulo e percebeu que éramos brasileiros) e mais algumas pessoas, alem do juiz. O juiz foi muitíssimo simpatico e eu chorei o tempo todo.

 Após o juramento em ingles e em francês, os alunos do grade 5 da escolar tocaram You are beautiful com violinos e violoncello. E no final, tocaram Oh Canada. O professor de música estava muito emocionado e disse que nunca tinha tocado o hino canadense em um evento tão importante (nós dois choramos, rs).

No final teve bolo e frutas e somos oficialmmente canadenses!
 
Pra mim, esta conquista é especialmente importante porque eu amo o Canada. É claro que este país tem vários problemas, é claro que temos muitas dificuldades aqui e é natural que a gente acabe valorizando o lado ruim e esquecendo um pouco das coisas boas. Mas eu sinto que renasci quando cheguei aqui no dia 18 de março de 2009.
 
O Canada mudou a minha vida dramaticamente! Foi maravilhoso ter tido a oportunidade de adotar um país para chamar de meu e sentir que eu tb faço parte disso tudo aqui. Criar os meus filhos como canadenses, assimilando esta nova cultura, esses novos princípios, esta nova lingua e sua lógica e ao mesmo tempo trazendo um pouquinho de nós para divider com este país. Tentando manter as coisas boas que cultura brasileira nos proporcionou.

A cada dia, eu me sinto mais próxima da cultura canadense, aprendendo a pensar como eles e me indignando com os absurdos que eu achava quase normais no passado. Eu renasci e no dia 10 de maior de 2013 eu fui registrada e sinto muito orgulho do meu país.

PS: palavras do juiz (tradução livre, rs) - "Nós temos aqui 40 flores de 23 jardins diferentes. Estamos muito felizes de recebe-los aqui para engrandecer o nosso jardim. Sejam bem vindos!"
 



Apr 28, 2013

Quase cidadãos

A semana passada nós fizemos o teste para a cidadania canadense: talvez o último passo neste longo caminho da imigração. Nós entramos com o processo em junho de 2012 e o prazo que nos deram foi de início de 2014, mas como não poderia deixar de ser, fomos surpreendidos com um adiantamento dos prazos.

A surpresa foi bem grande porque tivemos apenas 4 dias para estudar para a prova: bem, quer dizer, assim que o processo foi aceito nós já recebemos o livrinho para estudar, mas como todo bom procrastinador, eu fui deixando para depois (e o Sergio também).

Na verdade nós ficamos bem tranquilos porque geralmente as pessoas recebem a cartinha de convocação para o teste, umas duas semanas antes da prova. Quando eu abri a cartinha e vi que a prova seria em 4 dias, eu fiquei bem nervosa. Sem contar que eu já tinha agendado a castração do Blue para este dia (19 de abril) e o Sergio tinha a última prova do seu curso na Western University. Foi um desespero.

Depois de dar uma lida no livrinho e conseguir desmarcar a operação do Blue, eu fiquei bem mais tranquila e percebi que não seria assim tão difícil. Mas o Sergio teve que fazer os dois testes: terminou a prova da cidadania aqui e já foi direto para London fazer a prova dele que começava as 7 da noite. Depois da prova, ainda teve mais 1 hora e meia de estrada para chegar em Toronto novamente.

A prova é bem simples: 20 questões de multipla escolha e todas as respostas podem ser encontradas no livrinho. O que é meio "sacanagem" é que o livrinho tem varias "otinhas de rodapé", detalhes escritos em letras minúsculas nas laterais e algumas questões são exatamente sobre estas notinhas escondidas. Então é importante ler cada cantinho do livro.

Outra coisa que eu não sabia, é que são várias provas diferentes (completamente diferentes). O meu teste e o do Sergio não tinham nenhuma questão igual, então não tem a menor possibilidade de dar uma olhadinha nas respostas do vizinho ao lado. Além disso, eles separam os familiares durante a prova.

Assim que a prova começou, eu percebi uma música tipo dance music. A principio eu achei que fosse algum desses tontos que colocam o radio do carro no último volume para chamar atenção, mas depois eu percebi que a música estava dentro da sala e que todo mundo estava ficando inquieto. pois vcs acreditam que o celular de um fulano começou tocar a música e ele não percebeu??? E quando finalmente foi solicitado que ele desligasse o celular, ele ainda ficou um tempão tentando descobrir como faze-lo.

Uma coisa super boa que teve neste teste foi a resposta no mesmo dia. Quem ia terminando a prova, esperava lá fora até todo mundo terminar. Em seguida, eles conferiram as folhas de respostas (eletronico) e começaram chamar as pessoas. Pelo que nós percebemos, primeiro eles chamaram quem não passou, porque o pessoal saia da sala num desânimo tão grande, que dava pena. Foram uns 10 reprovados ou mais. Depois eles chamaram todos os outros juntos e nos explicaram como vai ser a cerimônia com o juiz.

Como fizemos a prova em Mississauga, nós poderíamos participar da cerimônia, lá mesmo no dia 3 de maio. Apesar do lucal ser super conveniente para nós, dia 3 é uma quarta-feira e ficaria super complicado para o Sergio vir e ter que voltar para Sarnia.

A outra opção é dia 10 de maio (sexta-feira) em Toronto. O local é terrível para nós, mas o dia vai ser bem mais conveniente. Então: faremos o nosso Oath of Citizenship no dia 10 de maio de 2013. Tenho que dizer que estou muito emocionada e feliz. Quando pensei em vir para o Canadá pela primeira vez, pensar em cidadania canadense era pensar em um futuro distante e de repente o tempo passou e já chegamos a este futuro.

Para mim, é uma sensação muito boa ser cidadã do país que eu escolhi, que eu adotei para ser a minha casa!

Mar 18, 2013

Primeiro post e uma das primeiras fotos no Canadá (em 2009)

março/2009
Apesar de São Paulo e São Pedro tramarem contra nossa ida nós conseguimos chegar no aeroporto a tempo. Na radio sul américa transito as notícias eram as piores possiveis, mas o encaixe do quebra cabeça já estava pronto e nem a chuva que inundou São Paulo neste dia 17 de março conseguiu nos segurar.

Foram 7 malas despachadas e mais 5 maletinhas de mão, sem contar as 3 malinhas sem alça (Edu, Helena e Luisa). O voo foi bem tranquilo, as crianças dormiram quase o tempo todo e quando estavam acordados se distrairam bastante assistindo desenho EM INGLÊS!!! Tivemos muita sorte pois o avião não estava lotado e conseguimos duas fileiras com três assentos cada uma, o que facilitou muito a acomodação das crianças. Eu e o Sergio passamos a noite nos revezando e foi uma troca-troca de lugares a noite toda que acabamos não dormindo nem um pouquinho.

A passagem pela imigração também foi super tranquila e a fila estava pequena. Tivemos muita sorte porque depois que fomos chamados a fila cresceu muito e dava até pena de ver as carinhas cansadas das crianças que devem ter viajado a noite toda e ainda teriam que esperar muito ali na fila.

Então, com todos os pacotes em mãos, o Sergio chegou à feliz conclusão de que precisávamos de ajuda e contratamos um senhor para levar nossas malas até o taxis. Pagamos CAD$18.00 mas valeu a pena porque o senhor que realizou o serviço foi muito prestativo e simpático. Em compensação os taxistas (precisamos de 2!!!) estavam mal humorados-mal educados; deu até raiva ter que gastar aquele dinheirão com eles, mas em determinados momentos não dá pra ficar fazendo malabarismos e precisávamos urgentemente chegar em algum lugar e descansar um pouco.

E como mesmo das situações ruins podemos tirar coisas boas... A van de um dos taxistas tinha uma coisa que nunca tinha ouvido falar antes (e acho que no Brasil ainda não tem): o banco de trás tem uma cadeirinha embutida; basta abaixar o encosto do banco e ele vira uma cadeirinha. achei a idéia maravilhosa porque não fica ocupando espaço no carro e não precisa ficar tirando sempre que algum adulto vai sentar ali. O único defeitinho dela é que quando a criança dorme a cabecinha fica sem ter onde se apoiar então acaba não sendo muito confortável para criança pequena, mas ainda assim é muito interessante e o taxista mal educado-mal humorado me disse que existem varios carros por aqui que já vem com este tipo de banco.

Apesar do azar com os taxistas estamos sendo muito bem tratados por todas as outras pessoas e tendo uma sensação de que somos bem vindos.

Estamos em um apartamento mobiliado de dois quartos muito confortável, em Mississauga. É uma espécie de apart hotel com serviço de limpeza uma vez por semana. E não preciso me preocupar com roupa de cama e de banho. Ainda podemos usar todas as facilities do prédio. A diária é um pouco carinha: CAD$95.00 mas eu achei que valia a pena o investimento para proporcionar o máximo conforto para as crianças. O dono do nosso apartamento é super simpático e prestativo e está sendo super tranquilo negociar com ele.

Não sei dizer ainda se quero ficar aqui em Mississauga mas a partir de amanhã vamos começar a pensar no assunto. Hoje o dia foi praticamente perdido porque estávamos (estamos) exaustos. Todo mundo dormiu quase o dia todo e as crianças ainda estão cansadas. Aos poucos estou desfazendo algumas malas e espalhando nossas coisas pelo apartamento. Fomos a um shopping agora a tarde que fica aqui perto mas o cansaço apressou a nossa volta e daqui a pouco todo mundo vai pra cama.

Ainda estamos meio abobados com tudo: quando o avião decolou eu tive uma sensação de tristeza muito grande. De repente pareceu que estávamos fazendo uma loucura, um ato impensado e um medo enorme tomou conta de mim. Mas quando o avião tocou o solo canadense parece que eu já tinha processado tudo e eu senti apenas uma profunda alegria de estar realizando este sonho.

Passamos o dia inteiro emocionados tentando ter certeza de que está acontecendo mesmo. Em varias situações um olhava pra cara do outro e alguém dizia aquela frase:

- Sim, nós já estamos no Canadá!

Jun 26, 2012

Nova espera

Depois de 3 anos de Canadá e quase totalmente recuperada do trauma do processo de imigração, iniciamos nesta semana uma nova espera: o processo para cidadania. Os documentos foram mandados nesta segunda-feira e as previsões são de que talvez eu não consiga ver a Copa do Mundo no Brasil com passaporte canadense.

Pois é, o processo é demorado!!!

E parece que o governo canadense está fechando um pouco a porta para novos cidadãos e esta dificultando as coisas. A prova parece não ser mais tão facil quanto era antes e estão sendo mais rigorosos em relação à lingua.

Eu particularmente acho certo: é um absurdo vc ter a cidadania de uma país e não conseguir se comunicar na lingua oficial dele. E infelizmente tem muita gente por aqui nesta situação. De qualquer forma, nós ainda temos quase 2 anos para se preparar, estudar o livrinho Discovery Canada e treinar o inglês.

Mas a grande verdade é que esta nova espera não tem absolutamente nada a ver com aquele espera infinita do processo de imigração. Mandamos nosso envelopão cheio de cópias de documentos e só estamos esperando a notificação de recebimento em Sidney e pronto!

Ainda que não mude nada na nossa vida diária, eu quero muito ser cidadã canadense. Pra mim vai fazer diferença porque eu amo este país!

Aos poucos as coisas foram se encaixando, entrando nos eixos e nós fomos nos adaptando a este novo jeito de levar a vida. As amizades estão se consolidando e eu já consigo ter aquela sensação gostosa de poder dizer "o meu bairro", "a minha rua",  "a minha casa".

Quando viajo e alguem me pergunta de onde somos automaticamente a resposta é : de Toronto!

A cada dia a gente perde um pouquinho aquela cara de imigrante recem chegado que não conhece nada e ninguem e assume o papel do imigrante "experiente" que já sabe onde fica tudo! E esta sensação de pertencer a algum lugar novamente é maravilhosa!

Mar 17, 2012

Halifax

Estamos em Halifax há três dias aproveitando o march break. O Sergio conseguiu dois dias off no trabalho e então estamos podendo aproveitar bem o tempo juntos e matar as saudades. Eu imagino que ele nem vá sentir tanta falta quando formos embora visto a bagunça que fizermos no apartamento super organizado dele, rs. O apê é minúsculo e com três crianças trancadas aqui já da pra imaginar a bagunça.

Temos saído bastante, visitado todos os pontos turísticos e também alguns bairros residenciais para conhecer. Essa é uma mania que nós sempre tivemos desde que morávamos no Brasil: sair de carro meio sem rumo olhando os bairros, as casas, vendo as coisas que nos agradam e aquelas que não gostamos.

Tenho que dizer que minha primeira impressão da cidade não foi das melhores. Eu achei tudo muito antigo, diferente, mal cuidado. Acho que me influenciei um pouco pelos comentários que o Sergio fez da cidade e tambem por causa do dia horroroso. Estava um dia nublado, com céu carregado e aquela garoinha paulistana que eu sempre odiei. Sem contar que deixamos Toronto com 16 graus para aterrizar em Halifax com 4. O voo atrasou quase uma hora e já estávamos exaustos e famintos quando chegamos.

Aos poucos, porem, a cidade foi me cativando por coisas que os olhos não vêm mas que são faceis de perceber. SIM, as pessoas são muito mais amigáveis por aqui. Não houve um só lugar onde não fôssemos bem tratados, onde não estivesse todo mundo sorrindo. Ninguem buzina no trânsito, mesmo quando vc está perdido e não sai assim que o farol abre. Ninguem pula na sua frente para furar fila. Nenhum atendente te atende de mau humor ou chama o próximo enquanto vc nem pegou o seu troco.

Até para dar bronca as pessoas são gentis e educadas. A Luisa derrubou uma bandeira da Nova Scotia que estava na entrada do Museu Maritmo da cidade e o segurança alem de ter sido SUUUUUUPER gentil ao dizer que não podia mexer na bandeira, ainda agradeceu todo sorridente quando o Sergio colocou a bandeira no lugar.

Em um dos principais pontos turísticos também fomos surpreendidos com a simpatia deste povo. Chegamos quando o local já tinha fechado e o Sergio foi confirmar com o segurança se estava fechado mesmo. O segurança na maior educação explicou que havia fechado as 5 mas que amanha abriria novamente as 9 da manha. Então o Sergio agradeceu e explicou que amanha estou embarcando para Toronto logo cedo e... o rapaz abriu a porta para nós e disse: "vou do outro lado fechar o estacionamento e vcs podem entrar, quando sairem por favor fechem a porta que eu volto mais tarde para tranca-la."

Nestes poucos dias o que eu senti aqui foi que o ritmo da cidade é mais lento, mais tranquilo e as pessoas muito menos estressadas. As coisas funcionam como cidadezinha do interior.

E a presença do mar... bem o mar é fascinante... eu sou apaixonada pelo oceano e não tem como uma cidade a beira-mar ser feia. Sem contar os inumeros lagos que também cortam a cidade. Em todo lugar sempre tem um pouco de água refletindo as luzes da cidade: é lindo!!!

Hoje estamos completando o nosso tempo para nos tornarmos cidadãos canadenses. Foram três anos morando neste país, se adaptando, aprendendo e se apaixonando por esta nova vida que temos aqui. Mas hoje, eu acho que também reencontrei aquela imagem que eu tinha criado do Canadá, lá atrás, antes de ter chegado aqui: a imagem de canadenses super educados, simpáticos, prestativos, que nos recebem de braços abertos.

Há exatos três anos eu embarcava no sonho de morar no Canadá, deixando pra trás minha zona de conforto e encarando o desafio da imigração, indo realizar meu grande sonho. E hoje, me encontro aqui, em Halifax, dividida entre minha nova zona de conforto e a possibilidade de recomeçar num lugar genuinamente canadense.

Dificil decidir entre duas coisas que parecem tão boas!!! Ah se eu tivesse uma bola de cristal!!!

Feb 20, 2012

Crianças bilingues

Acho que o maior desafio que tivemos aqui no Canadá foi inserir nossos filhos na cultura canadense sem deixa-los perder a lingua e a cultura brasileiras. No início parecia fácil, porque tanto o Eduardo quanto a Helena já falavam português quando chegaram, mas quando a Luisa começou a soltar a voz, eu percebi que meu trabalho seria árduo e longo!!!

Neste post aqui eu estava desesperada e pouco tempo depois a Luisa começou gaguejar, principalmente quando tentava falar portugues. Até agora eu  não sei ao certo o que eu fiz, mas o fato é que aos poucos todo mundo foi pegando fluência nas duas linguas e conseguindo passar de uma pra outra com tranquilidade.

É claro que eles têm algumas preferências: para falar entre eles, o inglês é mais facil e para assistir filmes, eles gostam de ver em português. Música tanto faz, eles gostam de qualquer coisa, até de lixo, rs rs rs rs.

Uma coisa que eu percebi foi que no inicio, o Edu e a Helena sempre pediam que eu falasse em português com eles: hj eles aceitam qualquer dos dois idiomas. E tem coisas que infelizmente é mais facil falar em ingles.

Outra escolha que nós fizemos foi não tentar ensinar as crianças a ler e escrever em português por enquanto. Para o Eduardo estava muito confuso levar as duas linguas ao mesmo tempo. De repente ele teve que aprender a falar, ouvir, ler e escrever em uma lingua diferente da dele e nós achamos que talvez fosse complicar muito as coisas, ele ainda ter que aprender a ler e escrever em portugues.

Hoje, eu não sei se fiz bem ou não, mas percebo que de qualquer forma o Eduardo tem muita facilidade para ler em portugues. É claro que ele usa a lógica da lingua inglesa e algumas palavras acabam sendo pronunciadas como em inglês, mas em seguida ele repete a palavra sem sotaque.

Com as meninas parece que o fato de falar as duas linguas, tornou o aprendizado da leitura e escrita mais facil. As meninas que hoje estão mais ou menos na mesma fase que o Eduardo estava quando chegamos,  tèm muito mais facilidade para a leitura e a escrita do que o Eduardo tinha. Elas conseguem mais facilmente entender que "bê" e "bi" são a mesma letra faladas em linguas diferentes. Com elas me preocupo menos em relação a isso e deixo "a coisa correr mais solta".

Por aqui existem varios estudos relacionados à aquisição de duas ou mais linguas simultaneamente. Esta reportagem aqui afirma que crianças bilingues apresentam um melhor desenvolvimento cognitivo do que crianças que falam apenas o ingles.

Seja como for, eu acho muito importante meus filhos falarem português! Primeiro porque eles são brasileiros e temos muitos familiares e amigos que não falam ingles. Alem disso, é muito mais facil se aprender uma lingua quando criança do que depois de adulto: se eles têm a chance da falar duas linguas fluentemente e sem sotaque, porque desperdiçar?? Também acho a nossa lingua muito linda, muito rica, melódica, poética. E cultura e conhecimento nunca são demais: o máximo que pode acontecer é eles não usarem pra nada, o que eu duvido muito que aconteça.

Dec 30, 2011

Fase 3

Ai que tosse!!! Acho que esta semana tive a pior gripe da minha vida. Fiquei dois dias de cama e super chateada porque não pude ajudar o maridão que quebrou o dedo do pé na véspera de natal!!! Sim, porque aqui no vale das pedrinhas nós não gostamos que quebrar tradições!!! O ano passado fui eu, e este ano o maridao resolveu me copiar.


Só que o dele foi sem o mesmo charme!!! Primeiro que ele não pode colocar a culpa no frio, porque estávamos dentro de casa, segundo que ele não chutou uma pedra enorme e não estava correndo: ele chutou um banquinho de madeira quando caminhava tranquilamente para me ajudar a arrumar a cozinha. Já deu pra ver que ele caminhava bem devagar, né??? E pra completar, foi bem na véspera de natal.


As crianças esperando o papai noel e eu esperando o marido me ligar do hospital para ir buscá-lo!!!


Para meu azar, o acidente aconteceu depois da nossa ceia e quando saí para busca-lo, às 5 para meia noite, as crianças quiseram deixar uns biscoitinhos e um COPÃO de leite para caso o Papai Noel aparecesse enquanto estivéssemos fora. Prendi todo mundo no carro, corri pra dentro, coloquei os presentes e  tomei  QUASE  todo o leite!!! Sai limpando o bigode e quase estourando!!!


Na volta, a criançada ainda reclamou que o Santa (Santa Clauss) não tinha tomado tudo!!! Vejam só que desaforo!!!!


O marido??? Estava bem, mas o plantonista achou que o dedo estava meio estranho e ainda marcou um retorno justamente no dia 26 de dezembro (o nosso boxing day: feriado onde as lojas fazem promoções maravilhosas!!!). Conclusão: não pude sair às compras!!!


E tudo isso acontecendo na semana mais estressante das nossas vidas: a semana da nossa separação!


É amigos, a vida é bela, mas é cheia de surpresas também. Quando viemos para o Canadá, eu e o Sergio estávamos preparados para tudo. Sabíamos que o risco era alto, que tudo podia acontecer... viemos com a cara, a coragem e o nosso maior tesouro: nossos filhos. Estávamos dispostos a fazer acontecer, fazer dar certo e não desistir jamais. E naquela época, a única certeza que a gente tinha é que não iríamos separar a familia de jeito nenhum. Ele vir na frente preparar o terreno  e coisas assim não era hipótese para nós.


Eu sempre fui uma pessoa persistente, mas o Canadá foi um teste e tanto para mim. Não posso dizer que não tivemos qualidade de vida por aqui: felizmente a nossa qualidade de vida é ótima em terras canadenses e eu posso dizer que encontrei exatamente o que eu procurava para os meus filhos: segurança e oportunidades.


Indo e voltando, mudando de idéia, recomeçando, fazendo ajustes aqui e alí, nós conseguimos encontrar o nosso lugar por aqui. Nos adaptamos às diferenças culturais e estamos a cada dia mais inseridos no dia a dia do canadense. Hoje, ainda temos muitos amigos brasileiros, mas eu fico super feliz em perceber que temos muitos amigos não-brasileiros também. Nossos filhos estão totalmente adaptados, estão fluentes nas duas linguas e já acreditam que pizza é aquele negócio massudo que eles vendem na pizza hut com peperoni em cima!!!


Mas para o Sergio e pra mim, as coisas não foram assim tão faceis!!! O que mais sofreu com certeza foi ele, mas eu sofri por tabela!!! No primeiro ano, ele sofreu com o desemprego, sofreu com as enganações das agências de ajuda ao imigrante, sofreu com a falta de vagas e com a frase maldita: VC NÃO TEM EXPERIÊNCIA CANADENSE!


Certa vez eu discuti com meu professor de inglês que ousou dizer que esta historia de experiência canadense não existe!!! Que sorte que eu ainda nao conhecia palavrões em ingles naquela época!!!


Depois de mais de um ano desempregado e já a beira da depressão (força de expressão, por favor), nós percebemos que um "survival job" poderia ser uma boa idéia. E foi!!! Hoje nós lamentamos muito o tempo perdido. E foi neste emprego que nós conhecemos uma face obscura do Canadá que pouca gente conhece, pouca gente comenta, mas muita gente convive com ela.

Confesso que me decepcionei muito com muitas coisas, mas ainda acho que o Canadá foi uma grande opção para nós. E agora, vamos encarar uma terceira fase da nossa imigração: a separação!

Sergio está indo para Halifax a partir da semana que vem e eu vou tentar atualizar o blog com mais frequencia para contar tudinho o que tem acontecido com a gente.

Aug 10, 2011

Eu vou alí lavar umas roupinhas e não sei quando volto

Pra brasileiro o ato de lavar roupa é a coisa mais simples do mundo, né?? Vc pega o cesto de roupa, leva pro tanque e pronto: lava!!! Na máquina ou na mão, o fato é que todo mundo tem uma lavanderia em casa, nem que seja a beira do rio e depois, pendura tudo no varal e o sol que se vire pra secar.

Aqui no Canadá a coisa não é tão simples assim!! Não é nenhum absurdo por aqui um apartamento simplesmente não ter lavanderia e vc ter que lavar a sua roupa fora de casa, em uma das coin laundries (são máquinas que funcionam quando vc coloca uma moeda). Em muitos apartamentos e casas a coisa funciona assim.

Quando chegamos aqui, nós quase alugamos um basement de um casal portugues muito simpático. Ninguem queria alugar para nós e já estavamos meio desanimados, mas o detalhe era que para usar a lavanderia dele teriamos que usar moedas também. E dá pra entender até a posição dele: imagine quanto de energia elétrica que uma família com 3 crianças não gasta de energia elétrica secando roupas.

Em muitos prédios existe uma lavanderia comum por andar ou uma só, para o predio todo. Não sei bem como funciona, mas quando fui para Atlanta, nos EUA, o esquema era esse e funcionava bem, mas a trabalheira era enorme. Tinha que descer até a lavanderia, pegar o carrinho para colocar o cesto, descer de novo com a roupa e ficar lá embaixo esperando tudo ficar pronto. Eram 3 máquinas de lavar e três de sacar e sempre tinha alguem usando.

O bom mesmo é vc ter a lavanderia dentro da sua casa. No primeiro apartamento que moramos no Canadá tinhamos uma portinha perto do quarto das crianças onde ficavam a máquina de lavar roupa embaixo e a secadora em cima. Era super prático, mas varalzinho nem pensar.

Em seguida alugamos uma casa com dois basements alugados embaixo. A lavanderia era grande mas não era "terminada" com eles chamam aqui. Isso significa que as paredes não são rebocadas e o piso é cimentado. Em um dos basements morava uma moça sozinha e no outro morava um casal. Não era muito complicado se organizar para usar as máquinas mas sempre tem aquela história de não poder lavar a roupa a qualquer horário. Não é a melhor das situações...

O fato é que lavar roupa, que é uma coisa tão obvia no Brasil, aqui no Canadá pode ser meio problemática quando vc pensar que temos um inverno longo com temperaturas abaixo dos 10 graus por no mínimo uns 6 meses. Então, pra quem vem morar no Canadá, alem de todas as preocupações que se deve ter normalmente para se alugar uma casa, é preciso perguntar: " e a lavanderia?" porque pra muita gente ir lavar roupa pode significar uma longa caminhada carregando uma mala de roupa suja e muito tempo de espera.

Apr 4, 2011

Cadê meu exército???

O Canadá é um lugar maravilhoso em muitos aspectos, mas quando se trata de serviços...  

Qualquer tipo de serviço em terras canadenses é caríssimo (pelo menos pra mim) e acaba não valendo a pena contratar alguem pra fazer. Muitas vezes sai mais caro a mão de obra do que a matéria prima: até porque normalmente as coisas não são tãããão caras e tem opções pra todos os gostos e bolsos. Mas na hora de chamar uma pessoa pra fazer o trabalho a chance de se decepcionar e jogar dinheiro fora é grande: todo mundo costuma cobrar por hora e de uma maneira geral o pessoal é lambão (faz mal feito).

O que acaba acontecendo, com o tempo, é que a gente já nem pensa em chamar alguem pra fazer: a preocupação maior é como vou fazer este negócio que nem imagino como funciona!!! Ou seja, além da limpeza da casa, da comida, da roupa, cuidar das crianças... ainda temos que verificar os vazamentos, trocar torneira, consertar o chuveiro, resolver os problemas nas instalações elétricas e todos aqueles probleminhas que sempre aparecem seja sua casa nova ou velha. Por aqui, marido que não põe a mão na massa não serve, porque tem trabalho de montão pra todo mundo!!!

Tudo bem que em termos de materiais não é preciso ter experiência pra usar: tem coisas inimagináveis por aqui que deixariam qualquer "faz-tudo" brasileiro feliz. Mas muitas vezes a dificuldade é saber qual é o seu problema e o que vc precisa para resolve-lo.

No início eu ficava quebrando a cabeça pra tentar resolver as coisas: agora que já sou "experiente" vou direto a uma loja de "materiais de construção" e peço ajuda. Muitas vezes levo a peça com problema, procuro algumas palavras-chave no dicionário e vou pra loja. Nesta brincadeira já aprendi trocar varios tipos de lâmpadas, torneira, chuveiro e a semana passada troquei os aparatos da descarga do banheiro.

E enquanto estava lá meio deitada no chão tentando desrosquear um parafuso super escondido, eu fiquei lembrando do Seu Zé: o faz tudo!!! Qualquer coisa que acontecia na minha casa eu ligava pro Seu Zé. Ele cobrava, acho, R$50,00 pelo dia de trabalho. Tudo bem que ele era super lerdo e adorava enrolar, mas eu aproveitava que o dia estava pago e já pedia pra ele ver outras coisas que eu tinha pra fazer. Outras vezes ele vinha e nem cobrava nada ou aceitava R$10,00 se eu insistisse muito. Não vou dizer que ele não era lambão, mas como já me conhecia, trabalhava direitinho porque sabia que eu estava sempre de olho, rs...

E no meu exército eu tinha também a Telma, que limpava a casa super bem, fazia umas coxinhas inesquecíveis, cuidava das crianças quando eu tinha algum compromisso, passava a roupa como ninguem e pra completar, era uma amiga pra todas as horas, divertidíssima e bem humorada.

E o rapaz do gás??? Um anjo que até vaso de flores já carregou pra mim... Se quando ele passava eu estava fazendo algum trabalho pesado no quintal, ele parava o caminhão e vinha me ajudar, rs.

Fora que meu carro tinha um seguro na Porto Seguro que me dava direito a técnicos que resolviam problemas elétricos, encanamento, eletrodomésticos, chaveiro e coisas assim. Eles vinham, viam qual era o problema e quais peças eu precisava comprar e depois voltavam para trocar a peça que eu havia comprado. Dependendo do caso eles usavam peças que eles já tinham no caminhão deles: uma maravilha!!!

O cara que lavava meu carro, levava o carro em casa depois de limpo por dentro e por fora, tudo por R$10.00.

Bom, nem preciso dizer que a família quebrava um galhão, né? Não era só como familia, mas cuidando das crianças de vez em quando, minhas irmãs resolvendo todos os problemas com carro, seguro e outras coisas, rs... minha mãe costurando...

Eu amo o Canadá e adoro fazer as coisas por mim mesma, mas as vezes sinto um pouco de saudade daquele exército que alguns sortudos têm no Brasil e não sabem valorizar como eles merecem!!!


PS: Aqui, eu só fico tranquila com meu carro porque fizemos o CAA: então eu sei que se tiver algum problema (como já tive), eles vêm com guincho e resolvem ou levam o carro para uma oficina.

Mar 22, 2011

Não pode reclamar porque a escolha foi sua

Hoje eu conversei com uma amiga e estávamos falando das dificuldades da imigração. O marido dela fez exatamente o que nós fizemos: largou a zona de conforto dele na Europa e foi para o Brasil começar do zero.  Agora, depois de 7 anos, parece que ele finalmente conseguiu se estabelecer profissionalmente, mas foi difícil.

O interessante dessa conversa foi que as sensações que eles tiveram foram exatamente as mesmas que nós (Sergio e eu) temos em todo nosso processo.

Primeiro sentimos que tem muito mais gente torcendo contra do que a favor. Parece que quando as coisas dão errado, quando temos problemas e nos magoamos com alguma coisa, as pessoas ficam mais felizes. Não sei bem o que acontece mas parece um pouco aquela sensação de: já que eu não posso, não quero que ninguem consiga também.

E uma outra coisa que incomoda muito é o não poder reclamar. Já que fizemos a escolha temos que achar tudo maravilhoso ou sofrer calado, fingindo que está tudo bem. Não tem frase que irrita mais do que "a escolha foi sua, então não pode reclamar".

Eu escolhi sim, e ainda assim me sinto no direito de reclamar, de criticar, de me irritar com algumas coisas e inclusive de dizer que preferia o que eu tinha antes em algumas situações.

Mas voltando à conversa com minha amiga, foi muito bom saber que não são só os brasileiros que pensam e agem assim, rs. Na verdade essa parece ser uma característica da natureza humana e independente de onde nós viemos, o fato é que somos todos muito iguais.

As pessoas que encontramos por aqui, no fundo, são muito parecidas com aquelas que convivíamos lá no Brasil. Existe a união, mas também existe o interesse. Existe a compaixão, mas também existe a inveja. Existem os problemas, mas também existem as aparências. No fundo, é tudo a mesma coisa.  

E então eu fiz uma continha: calculei mais ou menos o número de pessoas que eu conhecia lá  e dividi pelo número de amigos verdadeiros que eu tinha (tenho ainda, que bom!!!). Então peguei o número de pessoas que eu conheço aqui e dividi pelo resultado da continha anterior. Se for proporcional o resultado desta conta me dará o número de amigos verdadeiros que eu deveria esperar encontrar aqui, rs.

Sabe o que deu??? Deu pra perceber que é facil conhecer pessoas, mas fazer amigos de verdade é uma tarefa bem mais complicada. Acho que estou no lucro ou sendo feita de boba, rs rs rs

Mar 18, 2011

2 anos de Canadá

Pois é, já faz 2 anos que embarcamos nesta aventura!!! As vezes me assusto em como o tempo passa rápido; outras vezes me parece que já faz um século que estamos aqui. Não sei se eu conseguiria contar em 2 anos todas as nossas aventuras em terras canadenses.


As coisas acontecem de forma muito mais intensa quando estamos longe da nossa zona de conforto. Tudo é meio inseguro e incerto; é como nascer novamente e ter que ir desenvolvendo cada habilidade do início. Muitas vezes é meio desgastante e até desanimador porque coisas curriqueiras que fazíamos com o pé nas costas têm que ser reaprendidas.


Sem contar que a lógica é completamente diferente. Precisamos de tempo, paciência e muita determinação para aceitar esta nova lógica e começar a incorporá-la ao nosso dia a dia. E muita coisa eu já incorporei, já faço sem pensar e acho a coisa mais natural do mundo.

Se no início a gente fica sempre comparando o Brasil com o Canadá, ou pensando nas coisas que gostaríamos de ter trazido de lá; agora as comparações são cada vez mais raras e já me viro super bem com o que tenho por aqui. O meu gosto mudou, meu paladar também e talvez as minhas necessidades tenham acompanhado estas mudanças, mas o fato é que sinto falta de poucas coisas. Na verdade, só sinto falta das pessoas e mais nada.

Mas se por um lado eu já me sinto em casa por aqui, por outro lado eu ainda me emociono: choro com as paisagens do outono, choro nos primeiros dias de neve e sei que vou chorar muito quando os primeiros brotos aparecerem nas plantas do meu jardim, porque agora sim, eu posso dizer que este jardim é meu e eu poderei curtir cada brotinho que está prestes a surgir.

Ainda não me cansei de apreciar as paisagens, as mudanças das estações, os guaxinins que tentam virar meu lixo ou os esquilinhos que vêm bater na minha porta pra me lembrar de colocar comida.

Não sei o que o futuro nos reserva mas sei que estou vivendo tudo muito intensamente e a cada dia que passa eu amo mais este país que mudou tanto a minha vida. E aconteça o que acontecer, serei eternamente grata ao Canadá por esta oportunidade única de nascer novamente.

PS: como eu sei que muitos leitores do blog estão sonhando em vir pra cá também e algumas pessoas que me leem moram em outros países eu estou aceitando perguntas sobre a nossa vida aqui. Então, quem tiver alguma dúvida ou curiosidade, a hora é agora, rs.

Jul 24, 2010

Readaptar-se

Agora que o maridinho está trabalhando tudo parece estar entrando na rotina novamente. Aquela rotina que tínhamos no Brasil: ele saia cedinho para o trabalho, eu ficava com as crianças, a casa e os pagamentos e esperando a hora dele voltar para fazermos algo juntos.

Mas, por incrível que pareça, estou tendo que me readaptar àquela rotina tão conhecida minha porque foram mais ou menos uns 16 meses de convívio constante, sempre juntos, fazendo tudo juntos ou se falando o tempo todo pelo celular.

Passávamos nossos dias fazendo milhões de coisas e sempre conversando muito, fazendo planos, montando estratégias, discutindo e brigando também, rs.

Para as crianças também está sendo dificil porque estão mais do que acostumados em acordar de manhã e encontrar o papai ajudando a mamãe. Sem contar que o trabalho que antes fazíamos em dois, agora estou fazendo sozinha durante o dia e acabo demorando mais.

Tenho sentido saudades de uma situação que antes eu achava incômoda: vai entender, rs. Mas o saldo destas primeiras semanas está sendo muito positivo. O Sergio está muito mais animado e alegre, apesar de cansado. Temos aproveitado melhor o nosso tempo juntos e eu estou conseguindo me organizar melhor também. Com o marido em casa, eu acabei delegando as coisas para ele e fomos nos desorganizando: agora estou reavendo minhas tarefas e colocando as coisas nos eixos, rs.

Sem contar que a maioria dos homens se sentem perdidos em casa. E ter para onde ir todos os dias deu um ânimo muito maior ao Sergio, sem contar que ver um dinheirinho entrando sempre ajuda, rs.

E dinheirinho aqui no Canadá não são os R$500,00 do Brasil, né? O mínimo que um funcionário legal ganha é R$10.25/ hora, então já ajuda muito.

Se eu pudesse dar um conselho para quem está chegando, eu diria: se mantenha sempre fazendo alguma coisa fora de casa.  Faça os cursos do governo, faça curso de ingles, tente aumentar a sua empregabilidade na sua área, mas se após alguns meses, vc ja tiver feito um pouco de tudo e o emprego dos sonhos não veio, não fique em casa mandando curriculos. Procure um survival job qualquer: ele talvez não resolva todos os seus problemas financeiros, mas vai te ajudar muito a manter a mente sã. Sem contar que trabalhando vc vai aprender muito sobre a cultura canadense e vai mostrar para seus futuros empregadores que vc é uma pessoa de iniciativa, que aceita fazer qualquer tipo de trabalho, que está aberto a novos desafios, enfim... vai enriquecer o seu currículo.

Eu me arrependo muito de não ter deixado o Sergio ir para o survival antes. Ele pensou varias vezes em aceitar algumas ofertas que apareceram e eu consegui, com meu poder de persuação, convence-lo de que não seria legal. EU ESTAVA ERRADA! Teria sido muito bom pra ele.

PS: O survival job é uma alternativa super viável, que te traz varias oportunidades de ganhar dinheiro e experiência canadense, mas tem que ser encarado como survival. É claro que muitas pessoas acabam se dando super bem na construção civil ou consegue promoções trabalhando na produção em fabricas. Mas é preciso ficar atento porque determinados trabalhos não te abrirão portas para coisas melhores, então não dá pra se acomodar.

O ideal é ter o seu survival e continuar procurando emprego na sua área. Ao mesmo tempo tentar fazer cursos, melhorar ou manter o ingles (neste lugares o ingles não é exatamente a lingua oficial), fazer outras coisas para tentar encontrar o emprego/ profissão para vc chamar de seu.

É sacrificado, é cansativo, é dificil, eu bem sei, mas é o único caminho para o sucesso por aqui. O Sergio chega do trabalho e faz uma varredura em todas as empresas de engenharia e todos os sites de empregos para ver as novas posições abertas. Alem disso, ele está fazendo um curso de project manegment no Humber College e está sempre de olho em cursos, palestras e qualquer coisa relacionada à area dele. Há algumas semanas atrás, ele fez um curso gratuito pela internet para aprender a usar um programa que é muito usado em engenharia por aqui. O curso foi via internet por uma semana com 6 horas de aula por dia. Foi puxado mas acho que valeu a pena.

Jul 16, 2010

Pra completar a fase pé no chão...

Em um momento em que estamos falando e comentando tanto sobre as dificuldades no Canadá, eis que o Sergio conseguiu seu primeiro emprego por aqui.


Mesmo com todos os cursos que fez, todas as horas de estudo, todos os curriculos mandados, todos os kilometros percorridos, rs, ele enfim conseguiu uma primeira oportunidade por aqui.


No início, estávamos seletivos: só mandávamos curriculos para as posições que se encaixassem perfeitamente à experiencia dele. Após os primeiro mês, a exigencia começou a diminuir, e foi diminuindo, diminuindo, diminuindo...


Como gostamos de trabalhar com metas, nós decidimos que o mês de julho seria o nosso limite. Se até julho não conseguissemos nada na área, ou eu iria trabalhar ou iríamos para o survival.


Julho chegou, sentamos e decidimos que eu vou esperar mais um pouco por causa das crianças e ele começou a tentar o survival. Ainda assim, não foi tarefa fácil. Não sabemos mentir, logo, ou ele é overqualified (tem mais qualificação do que a função exige) ou ele não tem experiência na área. No final, as duas situações são terriveis.


Alguns amigos ofereceram trabalho na construção, mas cá entre nós, quem conhece o Sergio sabe que ele não serve para este tipo de trabalho. Não é uma questão de querer, é sim uma questão de jeito pra coisa.


E então ontem, em uma agência de empregos, ele finalmente conseguiu uma posição, mas com a condição de não contar pra ninguem em hipótese alguma que ele é engenheiro.


Doutorado??? Por favor, nem cite esta palavra porque teoricamente não podemos saber o que isso significa.


Mas no final, nem foi tão ruim assim como pensávamos e como somos muito otimistas, podemos dizer agora que ele tem uma certa experiência canadense, rs.


Viagem com a escola

Quando eu era criança, la na Vila Aurora, os nossos passeios de escola eram ate o Horto Florestal... talvez parque do Ibirapuera na formatur...