Dec 3, 2007

Amor, meu grande Amor

Quando a gente se apaixona tudo fica mais colorido e aquele objeto da nossa paixão é sempre maravilhoso e perfeito. Com o tempo, a paixão se transforma : ou vc começa enxergar tudo o que não via e fica com aquela sensação de "onde eu estava com a cabeça" ou começa enxergar o que nunca viu e como as coisas podem ser boas mesmo sendo diferente daquilo que vc sempre acreditou.

Depois de quase 7 anos de casada eu tenho me dado conta do quanto mudei nesta minha convivência com o Sergio; muitas coisas mudaram por mim mesma mas consigo perceber grandes influências que ele teve sobre mim.

Ontem o Corinthians caiu pra segunda divisão e devo confessar que torci fervorosamente até o finalzinho pra que eles conseguissem um golzinho de misericórdia. Quem me conhece sabe que eu sempre fui mais anti-conrinthiana do que palmeirense mesmo. E ontem, me vi participando da dor do Sergio e atraves de todos os disfarses dele, conversando como se nada estivesse acontecendo, eu percebi o quanto ele estava chateado. Me lembrei da força que ele sempre me deu nos inúmeros escorregões e quedas do meu time e quando em 2002 ele até torceu para o Palmeiras não cair. Me lembrei também do quanto é triste ver seu time caindo para a segunda divisão e estou chateada até agora; quase nem acredito.

E fiquei pensando agora de manhã em quantas coisas eu conheci através dele e que com o tempo aprendi a gostar.

Ele me ensinou gostar de guitarra. Infelizmente depois que nos casamos ele acabou abandonando a escola de música e parou de estudar seu instrumento musical preferido; tambem não tem ouvido muito as centenas de CD's que temos aqui em casa, mas eu fui aprendendo muito sobre música; fui apresentada aos Beatles, Rolim Stones, White Snake, Black Sabbath e muitas outras bandas e músicos que eu nunca imaginei que existissem. Sem contar a trajetória dessas pessoas, com todas as agruras e realizações das suas vidas. Através dele eu conheci minha banda predileta, Pearl Jam e quem vê imagina que eu fui quem a apresentou a ele.

Ele também me ensinou a ser libertária. Não posso dizer já sou totalmente mas tenho tentado bastante. Toda e qualquer forma de autoritarismo incomoda-o profundamente e aos poucos eu fui percebendo o quanto nós todos somos ditadores, controladores, o quanto precisamos manter as estruturas, o quanto temos dificuldade com mudanças, dificuldade de aceitar o novo, de aceitar opiniões e crenças diferentes, de aceitar outros estilos de vida, de mudar os planos, dificuldade de aceitar críticas. Acho que nunca na minha vida tive tanta liberdade; o que pode não ser bom porque tenho que tomar as decisões sozinha e arcar com a responsabilidade delas.

Não que ele não esteja presente e deixe tudo nas minhas costas. Ele sempre participa de tudo e de pertinho; sempre vai ao pediatra comigo, sempre foi em todas as consultas do pré-natal, ficou o tempo todo comigo na maternidade e com a Luísa, fez questão de ficar no hospital conosco, sempre quer participar de todas as coisas da casa mas raramente impõe a sua opinião; sempre tenta negociar.

Ele também me ensinou que bater na criança é mais um sinal de fraqueza do que uma forma de educar. Ele entende que as vezes a paciência se esgota e escapa um tapinha no bumbum, mas sempre diz: quando um adulto bate em uma criança ele está demonstrando que a criança venceu a discussão e o adulto teve que fazer uso da sua superioridade física pra fingir que venceu. Ele também é contra educar pelo medo e a gente tenta ao máximo que as crianças façam as coisas porque é correto e não porque eles têm medo de um castigo ou de apanhar.

Outra coisa que ele me ensinou foi que eu adoraria os Estados Unidos. Ele sempre me disse que o dia que eu conhecesse "a América" eu me apaixonaria. Não deu outra: já na primeira semana eu estava caída de amores pelas terras do Tio Sam e fui aprendendo a entender como funcionam as coisas por lá e a cabeça do americano.

Mas a grande mudança mesmo eu percebo todo final de ano quando começam as propagandas do Especial do Roberto Carlos. Ele é fã e me ensinou a ver o Roberto com outros olhos, me ensinou ouvir as letras despida de preconceitos e entender o quanto muitas músicas do Roberto são influenciadas pela Black Music americana que eu gosto tanto.

Agora, até eu fico esperando o Especial do Roberto e me emociono com algumas músicas inesquecíveis que todo ano ele canta no programa.

Vai entender o que é o amor, né?

5 comments:

  1. é eclético, liberal, participante e pai de verdade

    pára de fazer propaganda, heim ! :-)

    como é bom amar assim

    Roberto é Rei! um dia vou ao show dele

    bjs

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  2. Eh, como vc disse, eh o amor... Com certeza ele tbem aprendeu varias coisas com vc e isso eh que eh o importante em uma relacao neh?

    Bjs.

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  3. Bom, é dificil não se emocionar com esse post. Principalmente se voce é o próprio Sérgio.
    Mas só vai uma correçãozinha, voce conheceu o Pearl Jam por intermédio da Simone (que talvez leia esse post). Para mim o Pearl Jam era uma banda a mais que eu tinha uns dois disquinhos. Se hoje sou fã deles, a influência foi o inverso, risos.
    Mas o que mais me deixa mais feliz nesse post, é que estamos conseguindo na nossa família e principalmente com nossos filhos, criar um sistema baseado na igualdade.
    Na década de 60 houve uma evolução enorme na nossa sociedade. Mas atualmente há uma grande tendência dos conservadores em geral para condenar essas modificações. E nós temos que mostrar que o caminho aberto nos 60's é a melhor opção.
    Na minha casa, eu já fui criado com esse sistema. Curioso, no entanto, é que apesar de eu ter nascido nos 60's pouca influência meus pais tiveram com os ideais dessa época. Na verdade, não sei direito porque meus pais (principalmente o pai) tinha idéias tão diferentes para a época. Nunca apanhei e desde a mais tenra idade (5 anos talvez) eu já participava das decisões familiares, etc. Hoje acho que foi uma mistura da influência calvinista do meu pai com a criação alemã da minha mãe.
    PS Como eu gostaria de escrever bem como a Lena.
    Sérgio

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  4. Ai, ai...O amor...Quem consegue seus mistérios desvendar?
    Quem não muda, se adapta ou cede por amor?
    Eu tb aprendi a gostar de Pearl Jam com meu grande amor.Ainda bem que ele nunca gostou de futebol, acho que eu não teria paciência pra isso =))))

    Felicidades pra vcs e pra família toda.

    Beijos, Raquel

    www.numafria.com

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Viagem com a escola

Quando eu era criança, la na Vila Aurora, os nossos passeios de escola eram ate o Horto Florestal... talvez parque do Ibirapuera na formatur...