Eu tenho um primo (Eduardo como o meu filho) que na adolescência adorava viajar e praticava esportes radicais. Um dia minha mãe perguntou para a mãe dele se ela não ficava preocupada com os riscos que ele corria e a resposta dela foi perfeita:
- Eu me preocupo mas não posso impedí-lo. Se um dia ele sofrer um acidente praticando um esporte e morrer, eu sei que ele vai morrer feliz.
Hoje o meu filho Eduardo foi em um passeio junto com a escola. Passei a manhã inteira olhando no relógio com o coração na mão e até me questionei se deveria mesmo te-lo deixado ir. Agora, com ele aqui são e salvo e super contente com a experiência eu fico feliz por ter deixado.
O ano que vem a Helena vai iniciar os primeiros passos dela rumo a liberdade. Infelizmente ela não poderá ainda estudar na escola do Edu mas irá para outra escola com o mesmo método e muito provavelmente fará também muitos passeios e viverá muitas experiências novas longe de mim.
No meu egoismo eu lamento muito todas as coisas que eles vão viver sem a minha participação e que eu ficarei sabendo apenas como histórias contadas, mas eu não tenho o direito de segurá-los na barra da minha saia a vida inteira.
Acho que tenho acertado bastante e tenho filhos super independentes de mim. Tanto o Edu como a Helena vão com qualquer pessoa, fazem amizade rapidamente e sem muita cerimônia, dormem em qualquer lugar e se adaptam facilmente a qualquer situação. Tenho certeza que sentem minha falta em algumas situações mas conseguem ficar longe de mim sem muitos problemas.
É doloroso imaginar que um dia eles irão embora para viver suas vidas sem a minha participação, mas será gratificante ve-los felizes em suas escolhas.
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Eu vivo isso pelo lado da filha que foi "viver sua vida". Minha agora parece estar se conformando com a nova situação, mas muitas vezes me pego lamentando pelo sofrimento dela, causado pela minha ausência. Daí, lembro que a vida é uma só e que preciso vivê-la por mim. Não no egoísmo, mas valorizando esse presente que ela mesma me deu. Mesmo assim, quando penso que estou indo pro Canadá fico angustiada em pensar que ela ficará aqui.
ReplyDeleteEnfim, ela é "mulher feita" e vai saber se cuidar, né?
Beijo,
K.
Marilena, lendo seu post de hoje eu me lembrei do primeiro passeio que minha filha fez pelo colégio - ela foi para o Santuário do Caraça, em Minas Gerais.
ReplyDeleteAlém de a viagem ser longa - eram quase nove horas de ônibus - lá não pega celular e eles disseram para ligarmos no dia seguinte para o colégio para saber como tinham chegado (o ônibus saiu daqui do Rio à noite)... Imagina se eu dormi??? Foi uma das piores noites da minha vida, mas quando ela voltou, cheia de novidades pra contar, fiquei tão feliz que até esqueci meu sofrimento.
E até hoje ela vai a todos os passeios - Ouro Preto, Ilha Grande... e já viajou de avião sozinha várias vezes também. O que você falou está certíssimo: temos que criar os filhos para serem independentes, pois caso contrário, como adultos eles sofrerão muito e custarão a amadurecer.
Um abraço e bom final de semana!!!
Andréa