Apr 10, 2008

O que é estar adaptado???

Com esta história de imigração e de morar em outro país todo mundo se preocupa muito com a adaptação. E nós aqui em casa passamos por um processo de adaptação neste inicio de ano e acabamos nos perguntando: o que é estar adaptado a uma situação???

Bom, a Helena foi para a escola em janeiro deste ano. Depois de muito pensar, visitar, discutir, etc, etc, etc resolvemos qual seria a melhor escola para a Helena das opções que tinhamos. Eu particularmente adorei o espaço físico da escola: tem um quintal de terra enorme, com tanque de areia, 2 parquinhos, casinha e um gramado maravilhoso. A dona da escola também é ótima: super simpática, gentil, atenciosa; conversávamos muito e sempre foi muito legal.

Uma das crianças da turminha da Helena era filha da dona e a Helena sempre falava da menina. Logo de manhã a Helena se levantava falando em ir para a escola. Colocava o uniforme e ia toda feliz levar a sua malinha para o carro. Tudo parecia muito bem exceto pelo fato de que bastava estacionar em frente a escola para seu comportamento mudar: ela desanimava, e meio chorando dizia que não queria entrar; não entrava chorando porque eu pedia que ela não chorasse mas o desânimo e a insegurança eram evidentes.

Acho que até demorei pra perceber o que estava acontecendo e considerava que aquela insegurança dela era normal mas depois de quase dois meses na escola nada havia mudado; ou melhor, muita coisa havia piorado. Naqueles dois meses ela estava muito mais insegura, chorosa, grudada em mim e por fim começou roer as unhas.

Uma ex-roedora de unhas não quer que sua filha tenha este terrivel problema e quando perguntei ao pediatra a respeito ele disse pra observá-la porque alguma coisa poderia estar causando ansiedade nela.

Como sou sempre a culpada por tudo de ruim que acontece no mundo comecei observar melhor nosso relacionamento em casa e depois de ver todas as possibilidades para me culpar pelo comportamento dela comecei achar que a aparente adaptação dela à escola não era verdadeira. E prestando mais atenção às coisas que aconteciam na escola eu comecei achar que o problema estava mais lá do que aqui em casa.

Resolvemos então procurar a coordenadora pedagógica da escola do Eduardo e depois de uma excelente conversa, ela me indicou uma segunda escola. Srgundo a coordenadora o problema seria resolvido rapidamente. No dia seguinte eu e o Sergio fomos visitar esta outra escola com a Helena e pasmem: ao término da conversa com a dona da escola a Helena já quis ficar. Eu e o Sergio fomos embora e ela ficou no balanço com a dona da escola.

Já faz quase 20 dias que ela está frequentando esta nova instituição e a diferença no seu comportamento é evidente. Continua meio mal criada (os famosos terrible two's) mas nada de choradeira por qualquer coisa e nem "roedeira de unha". Levanta de manhã na maior animação e quando chega no portão da escola desce sem reclamar e sem cara feia. Vai até a professora, dá a mão a ela e eu posso ir embora tranquilamente.

Comparando a maneira como foi feita a adaptação dela nas duas escolas eu percebo que agora a coisa foi feita com mais cuidado. Não quero nem comentar o que foi feito na outra escola porque cada instituição tem um método, mas agora houve uma preocupação em passar segurança para a Helena. Primeiro a dona da escola, que é pedagoga, nos recebia no portão, eu entrava e ficava com elas (Helena e pedagoga) conversando. Naturalmente a Helena ia "desgrudando" de mim e interagindo com a dona da escola.

Quando a Helena já estava a vontade com a dona da escola (3 dias), ela começou "apresentar" as outras pessoas da escola a ela. Se o método foi melhor ou não , eu não sei, mas funcionou.

Espero que estas experiências do Eduardo e da Helena na escola me ajudem com a Luísa. A grande questão é saber o que significa uma criança estar adaptada ao ambiente escolar. Será que só o fato da criança não chorar e não ficar perguntando pela mamae é suficiente para considerar como adaptação? Será que basta a criança estar participando das atividades ou comendo na escola?

A Helena me provou que não: ela não chorava depois que eu ia embora, brincava, comia de vez em quando, mas não estava absolutamente feliz e segura naquele ambiente. Pra nossa sorte ela conseguiu pedir ajuda; do jeito dela mas pediu e pra grande sorte dela nós conseguimos perceber que algo não estava bem.

Amanhã seria o seu primeiro passeio com a nova escola: eles vão ao Zoológico de São Paulo. Eu acho que é muito importante a criança participar destes eventos, acho importante dar independência à criança desde cedo e dar a oportunidade para que ela tenha suas próprias experiências longe do núcleo familiar. Apesar do discurso eu nao deixei que ela participasse do passeio.

Vou tentar me defender desta decisão que acabou sendo apoiada pelo Sergio: acho que ela está na escola há um tempo muito curto (20 dias) para fazer um passeio longo (das 9:00 às 16:30) e tão longe da minha casa. Não sei se ela já se sentirá segura com aquelas pessoas para ir em um ambiente totalmente diferente do escolar. Mas já está prometido que o próximo passeio contará com a presença dela.

PS: meu problema agora é conversar com a dona da outra escola. Tenho medo de magoa-la dizendo que a Helena não se adaptou à escola dela mas também não quero mentir dizendo que ela não está indo a escola nenhuma. Acho que vou pedir que o pai da criança resolva este pequeno "problema" pra mim, rs.

5 comments:

  1. Acho que é melhor mesmo o pai resolver a questão :)

    Que bom que parece estar tudo bem na nova escola... Eu nem tenho filhos, mas fico pensando em que escola os colocaria. Aqui no Rio eu conheço uma penca delas, já que meus pais são pedagogos, e, ainda assim, acho uma escolha super difícil. Fico pensando em como vai ser fazer isso no Canadá, sem ter nenhum conhecimento anterior do lugar...

    Beijo,

    K.

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  2. Também me preocupo demais com isso, morro de medo da adaptação da Olívia numa escola nova, língua nova, país novo.
    Mãe sofre demais...melhor pedir pro Sergio resolver esse probleminha mesmo! (coitado)
    Boa sorte!

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  3. Eu não tenho filhos e não sei como são essas coisas, mas é sempre bom ler seus relatos, e com certeza vai me ajudar quando for a minha vez :)
    ....mas me dá um frio na barriga só de pensar em educar....ai, ai, ai....
    Bjs

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  4. Incrivel neh? Se voces nao tivessem prestado atencao no comportamento dela, nao saberiam o que estava acontecendo e acho que o comportamento soh iria piorar (o qeu jah estava acontecendo neh?). Falo por experiencia propria, que bom que voces viram isso cedo.

    Bjs.

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  5. Admiro a sua coragem, essa é uma deci~são muito difícil. Acabei de trocar meus 3 filhos de quase 4 anos de escola. Também vinham apresentando problemas de adaptação. Não em relação a escola, mas à professora. Tentei conversar com a escola, afinal era o terceiro ano deles por lá. E nada adiantou. Eles mantinham a postura de que o problema era em casa. Acabei, com muito sofrimento meu, trocando-os de escola. E não é que no segundo dia já estavam bem adaptados? As crianças sabem demonstrar qdo algo está errado! e nós mães, sentimos tudo o que acontece com eles.
    Qto a conversar com a escola antiga... esteja preparada. No meu caso, tanto diretora, qto coordenadora se sentiram super ofendidas - tipo, como essa "menina" ousa duvidar da escola? Tenha bons argumentos preparados e (principalmente) não entre na deles. Procurei ser humilde e agradecer por tudo e então sair "numa boa", dentro do possível. Mas na verdade, tinha vontade de falar e falar, tudo o que realmente eu pensava...
    Como não sei o dia de amanhã... moramos no interior de SP. As coisas funcionam um pouco diferente da capital... mas vale a dica; melhor sentir-se agradecida e deixar o clima agradável.....
    Um abraço e boa sorte!

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Viagem com a escola

Quando eu era criança, la na Vila Aurora, os nossos passeios de escola eram ate o Horto Florestal... talvez parque do Ibirapuera na formatur...