A minha experiência na escola católica tem sido muito diferente de todas as experiências que tive nas escolas anteriores. Não que eu tenha qualquer reclamação sobre as escolas públicas em que o Edu estudou no ano passado; seria até injusto dizer algo assim porque sempre fomos muito bem tratados em todos os lugares. Especialmente na Mill Valley, onde ele fez o grade 1, tivemos um tratamento que nunca recebemos no Brasil. A diretora era realmente muito gentil e solícita, mas eu diria que ela não era exatamente inclusiva.
Pode ser que esta é uma característica pessoal desta escola, mas em todos os voluntariados que fiz na escola no ano passado a sensação que tive foi sempre a mesma: eu era um peixe fora d'água e estava mais atrapalhando do que ajudando.
Mas apesar de conhecer todo mundo na escola, o Eduardo não estava exatamente inserido. Ele participava ativamente das atividades escolares mas nunca foi convidado para uma festa de aniversário, pra ir na casa de uma amiguinho ou qualquer outra coisa fora da escola.
Da mesma forma eu, só conhecia as duas brasileira que tinham filhos na escola, porque as outras mães e avós, já tinham seus grupos fechados e a maioria delas sequer me cumprimentava, mesmo me vendo todos os dias.
Desde que o novo ano letivo começou na escola católica eu senti que uma experiencia diferente estava por vir. A diretora, apesar de muito solicita e gentil também, me parece bem mais ocupada que a anterior. Ao contrário da Mill Valley, na escola católica onde meus filhos estudam a diretora não é a primeira pessoa que vc encontra ao entrar na escola. Tem uma secretária na comissão de frente que serve de peneira, rs. De qualquer forma, sempre tive total acesso à diretora.
Nas duas escolas, os funcionários são sempre educados, prestativos, compreensivos e sempre recebemos bilhetes solicitando que os pais se voluntariem para ajudar nas atividades da escola. Eu sempre sou voluntária com a condição de poder levar minhas filhas comigo. Se anteriormente isto era impeditivo para todas as atividades, este ano tem sido encarado como uma coisa super positiva. Algo como: é bom que elas participem pra já irem se ambientando com a escola.
Na festa de Halloween eu não só levei a Luisa comigo, como ela participou de todas as atividades. Pela primeira vez eu me senti verdadeiramente incluída. As mães voluntárias não só sabiam quem eu era e quem eram os meus filhos, como estavam me esperando: elas sabiam que eu tinha me voluntariado. E eu não fui largada em um canto tentando encontrar alguma coisa pra fazer. Assim que cheguei, algumas já vieram me receber, fizemos as apresentações formais (porque todo mundo me conhecia) e elas já me explicaram como as coisas funcionam, o que eu poderia fazer, o que ia acontecer e muito mais.
Foi uma manhã divertidíssima, participando de uma festa que faz parte da cultura local com todos os simbolos do halloween e sem aquele monte de superstições e medos e proibições que as pessoas se impoem por causa de religiao. Todo mundo alí apenas para se divertir em uma festa à fantasia super inocente.
Eu realmente me senti em casa, me senti bem, me diverti e principalmente: vi meus filhos se divertindo, participando, brincando, se integrando em uma cultura que no final tem muitas coisas em comum com a nossa.
Ao mesmo tempo meus filhos estão conhecendo uma história que eles desconheciam (por minha culpa): a história do cristianismo, a histõria do povo judeu, a história que orientou toda a minha educação e cultura. De repente eu percebi que por não querer impor uma religião aos meus filhos, eu não dei a eles opções para escolha e pior, não estava dando a eles o conhecimento.
Então me lembrei de um comentário que a Marilda (minha leitora de British Columbia) fez logo que cheguei por aqui: dizendo que todo mundo tem religião e eu estava tirando dos meus filhos a possibilidade de ter uma também. Naquela época eu achei bobagem, mas acho que ela estava totalmente certa. Hoje eu acho que minhas crianças precisam de uma religião, que está sendo bom pra eles, para tranquiliza-los, para dar segurança, para ensinar bons princípios. Princípios estes que mesmo não seguindo nenhuma religião, nós temos e seguimos.
Ainda não quero impor uma religião para meus filhos e por isso nunca vou obrigar ninguem a ir na igreja: não quero ninguem lá por medo, por obrigação ou por interesse, mas quero que eles saibam que existe uma religião que eu segui, que foi boa pra mim e que eu acredito que será boa pra eles se eles quiserem. Eu vou mostrar os caminhos que conheço e dar minha opinião sobre eles, mas a escolha, eu quero que seja feita por eles.
Pra mim, particularmente, também tem sido super positivo. Em poucos dias muitas mães vieram conversar comigo. Apesar da minha dificuldade em falar, já conheço muitas mães e já sou conhecida por elas. Não posso dizer que tenho amigas na escola, mas pelo menos tenho com quem conversar enquanto espero o Edu e a Helena.
O Edu já foi na casa de um amiguinho, já tem um grupo de 4 amigos inseparáveis, que fazem varias coisas juntos e, esta semana eu convidei uma das mães para trazer os filhos aqui em casa. Aos poucos estamos conhecendo as pessoas e criando laços. Pode ser que a maioria destas amizades não dê em nada, mas já existe uma porta aberta.
Por estas e por outras, a escola católica, está sendo uma experiência super positiva para nós. Ali eu tenho conseguido enxergar muitas coisas que não percebia antes. Situações que este multiculturalismo torontiano coloca no nosso caminho o tempo todo e que dificulta muito a nossa vida, a nossa adaptação. Convivendo muito com imigrantes a gente acaba formando uma visão meio estranha do Canadá e acaba achando que só da pra viver por aqui se vc se unir ao gueto brasileiro.
Na escola católica estamos encontrando pessoas mais parecidas com a gente: uns frequentam a igreja e são fervorosos, outros vão em batismo, casamento e missa de setimo dia, mas todos têm algo em comum com a gente: o mesmo tipo de pensamento e infelizmente, isso tem feito toda a diferença.
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Sempre que os pais quando veem um problema nos seus filhos, no caso a não inclusão social do Edu na escola, a tendencia é de colocar a culpa nos outros (más companhias, rs). Mas no caso do Edu eu sempre achei que a culpa era da escola sim, afinal é dificil ser mais sociavel do que o Eduardo é. E acho que tinhamos razão, na nova escola ele está totalmente diferente, ou melhor os colegas estão totalmente diferentes em relação a ele, rs.
ReplyDeleteJá quanto a religião, talvez no Brasil me incomodiaria uma escola católica. Primeiro porque no Brasil, ao contrário do Canadá, escola católica significa altas mensalidades e lógico, exclusão social ao máximo. Depois, já que eu fui criado sem religião nenhuma, e isto nunca me faz falta alguma, me parecia meio "errado" ficar passando essas coisas para as crianças.
Mas aqui no Canadá é diferente, religião tambem tem um componente cultural muito forte, que no Brasil não aparece muito porque todo mundo é cristão. Mas o Canadá não é um país cristão, isto tem que ficar bem claro. E com isto as crianças estavam sem nenhuma informação sobre o cristianismo, mas com toneladas de informação sobre as outras religiões, principalmmente as asiáticas. Tava vendo que um dia desses o Eduardo já não ia querer mais participar do churrasquinho que fazemos de vez em quando aqui em casa, rs, rs.
E na escola católica ele está aprendendo muitas coisas, que mesmo eu não tendo vindo de uma família religiosa, eu aprendi na idade dele. Se eles vão ter religião quando forem moços, não me preocupo, e nem é meu problema, mas os conceitos embutidos no cristianismo espero que eles tenham.
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ReplyDeleteConfesso que tenho um pé atrás com escola religiosa, e até mesmo ser criada dentro de uma religião. Fui criada no cristianismo, e olhando pra trás, vejo que me fez mais mal do que bem.
ReplyDeleteToda aquela coisa de céu, inferno... Acho, particularmente, que é muito melhor ensinar valores éticos e morais de outra forma. Talvez porque eu fui uma criança que sempre levou tudo muito a sério - eu realmente me imaginava indo ao inferno a cada coisinha errada que eu fazia, e esse tipo de coisa me fez tão mal, e me tirou coisas tão boas da infância...
Mas bom, não escrevi o comentário pra falar só disso. A escola religiosa parece, mesmo, ser uma ótima opção, e como já falaram antes, dá pra ver sua alegria em cada linha. Pelo que o Sérgio falou, é diferente das escolas católicas no Brasil (eu estudei boa parte da minha vida em uma), o que já é muito bom.
Deve estar sendo ótimo pro Edu (e pra família toda!), parabéns pela decisão! :)
Na verdade tem que se explicar uma coisa. Se formos analisar de uma forma bem radical, não existe escola católica em Ontário. Tanto a escola pública como a católica são sustentadas pelo governo, ou em ultima instancia pelo contribuinte. Então a escola católica tem que obrigatoriamente seguir as linhas mestres impostas pelo governo para a escola pública. E no mundo capitalista quem manda é quem paga a conta.
ReplyDeleteIsso, por sinal, causa uma certa insatisfação dentre os não católicos (e temos que concordar com isso), porque as escolas muçulmanas, protestantes ou hinduistas (se é que existe escola hinduista por aqui) não recebendo dinheiro público, tem que cobrar mensalidade afastando assim os alunos.
Pois é lena, você não pode imaginar a minha felicidade em estar lendo isso. A minha preocupação em colocar as meninas na escola católica assim que chegamos foi grande. Vou falar especifícamente da Gê. A Gê nunca fez primeira comunhão ou frequentou qualquer igreja, isso foi por negligência minha mesmo. Eu estava preocupada comigo e deixei os meus filhos de lado no quesito religião. Quando coloquei a Gê lá na católica, ela começou a aprender tudo isso que você falou que os seus estão aprendendo, mas com 16 anos. Mas independente disso, posso afirmar sem sombra de dúvidas, que eu tenho uma filha preocupada com o outro, solidária, boa filha até muito mais que muitos católicos fervorosos. A educação que dei foi o suporte para que ela conseguisse chegar aos dezesseis anos sem religião e não se perdesse pelo caminho. Parabéns pelas suas preocupações e admiro você e suas escolhas, a inclusão é real, o meu marido fazia parte do conselho de pais era vice diretor na escola e sempre fomos muito bem recebidos.
ReplyDeleteGrande beijo, Eliane
Legal que vc estah se sentindo incluida e feliz :-)
ReplyDeleteAi, tbem nao estou nem um pouco a fim de colocar a Victoria em escola catolica nem protestante, mas ano que vem vou coloca-la na lista de escolas que ficam perto de casa, e isso inclui catolicas e protestantes e vamos ver no qu eda.
bjs
Ola, Mari
ReplyDeleteFui eu, Marilia e nao Marilda como vc escreveu, rsrs q escrevi muito tempo atras sobre aquele comentario.
Fico feliz q vc percebeu e vera q para as criancas valera a pena, sim.
Nao sou catholica ferverosa, mas sou catolica apostolica romana e acho q isto so acrescenta.
Aqui em BC as escolas catolicas sao pagas,com uniforme e nao me preocupei em matricular minha filha ainda. Mas ela ja fez a catequese, a primeira comunhao e ainda atende 1 x por semana a ed. religiosa como eles dizem ,ate a Crisma. Tudo na menina mudou! Ela esta mais atenta ao mundo, as pessoas e ja sabe distinguir uma coisa da outra, visto q o vida norte americana esta muito perigosa com drogas,vicios, politica e racismos e tbem eu nao tinha esta preocupacao ate ver uma menina de 6 anos interessadissima na religiao indiana (sinks) e batendo pe para ir nas atividades da Cristhian, luteranas onde as colegas participavam e da religiao dela, nada.
Ela estara livre para escolher o que quiser, mas a minha parte eu fiz. Participa hj (tem 11 anos) das atividades evangelicas, luteranas e ja foi tbem a festas dos Indianos, qdo convidada pelas amigas e ja aprendeu q religiao nao se discute, se respeita todas...
Um bj
marilia
Olá Marilia,
ReplyDeleteque vergonha de ter trocado seu nome. E justo eu que sempre reclamei porque todo mundo troca o meu, rs.
Mas de qualquer forma, apesar de ter trocado o nome, o seu comentário ficou muito bem guardado na minha memória e ele me ajudou muito em nossa decisão. Obrigada mais uma vez pela sinceridade de sempre.
PS: Os comentário são sempre lidos e tudo é levado em consideração. Sempre penso muito em tudo o que me dizem, presto atenção e analiso como aquilo pode ser usado em minha vida. Obrigada a todos pelos comentários. bjs
Oi, Mari.
ReplyDeleteEstou seguindo seu blog com indicação de outro blog.È pra falar a verdade estou adorando tudo que você escreve, lie seu blog de janeiro de 2009 até as ultimas postagens isso apenas em dois dias,mesmo quando via que já estava tarde não conseguia parar de ler rs.Estamos tentando mudar para o canada estamos no processo final(assim espero)rs.
Tenho três filhos sendo um menino de 14 anos (Vitor) e duas meninas gêmeas de 8 anos(Camily e Juliana)minha maior preocupação são com a escola para eles,pois eles não sabem nada em inglês o Vitor sabe um pouco mais bem pouco mesmo quase nada. E fico a me perguntar nas dificuldades que eles irão ter, embora lie que o Edu também não sabia mias você sempre estava ajudando lendo livrinhos para as crianças que por sinal são lindos Parabéns...
Eu não vou poder ajudar nessa parte também não sei.
Estou indo para Toronto ainda não sei ao certo qual cidade se tudo der certo meu marido (Delmar) vai na frente para encontrar um lugar legal pra gente morar.
Mais lie também que as escolas mudam muito de bairro para bairro, e gostaria que você me desse umas dicas de lugares legal para morar com escolas perto,onde as casas não sejam muito caras para alugar mais que seja legal e bom para as crianças.
Já lie e procurei muitas coisas.
Nunca acompanhei um blog, mais com essa mudança procurando na internet vi vários blogs que falam sob o canada ai resolvi fazer um para acompanhar tudo mais de perto lendo cada coisas de brasileiros que vivem no canada quero que saiba que não sou do tipo que fica só perguntando também vou atrás leio, como algumas pessoas que querem tudo pronto sem se dar ao menos o trabalho de procurar.Lie sim muitas coisas mais tem muitas coisas também que não consigo entender.Sê você pudesse me dar algumas dicas ficaria muito feliz.
Sei que seu tempo e muito corrido com as três crianças, mais ficarei ansiosa de ter uma resposta sua.Que você tenha um lindo e maravilhoso fim de semana.